O presidente do Cuiabá, Cristiano Dresch, intensificou o tom das cobranças públicas contra o Santos e o Corinthians devido a pendências financeiras acumuladas. Em entrevista recente, o dirigente mato-grossense classificou a postura dos clubes como uma forma de estelionato esportivo, argumentando que a inadimplência fere a integridade das competições nacionais.

Condenação judicial e o impasse com o Santos

A tensão entre Cuiabá e Santos atingiu um novo patamar após a Câmara Nacional de Resolução de Disputas (CNRD) condenar o clube paulista ao pagamento de R$ 18.616.377,46. O montante é referente à contratação do zagueiro Joaquim, realizada em 2023, e inclui valores da posterior transferência do atleta ao Tigres, do México.

Segundo a diretoria do Dourado, o acordo de parcelamento estabelecido não foi cumprido integralmente, com apenas a primeira parcela quitada. O vencimento da última prestação ocorreu em janeiro de 2025, o que motivou o acionamento da entidade reguladora em maio do mesmo ano. O Santos, por sua vez, sustenta que trata o caso nos fóruns competentes e critica a exposição pública do litígio.

Críticas ao modelo de gestão associativa

Dresch aproveitou o cenário para questionar a eficácia do modelo de gestão associativa predominante no futebol brasileiro. Como proprietário da SAF do Cuiabá, o dirigente contrastou sua responsabilidade patrimonial direta com a administração de clubes que não possuem donos, citando especificamente o presidente do Santos, Marcelo Teixeira.

Para o cartola, a ausência de risco ao patrimônio pessoal dos gestores permite decisões financeiras arriscadas que comprometem a saúde do ecossistema esportivo. Ele classificou o modelo atual como obsoleto e defendeu que a gestão profissional deveria estar atrelada a uma maior transparência e responsabilidade fiscal.

Cobranças ao Corinthians e exigência de sanções

O Corinthians também figura como um dos principais alvos das reclamações do Cuiabá. O clube paulista possui uma dívida superior a R$ 17 milhões relacionada à aquisição do volante Raniele, com parcelas vencidas desde julho. Somando os débitos de Santos e Corinthians, o valor total a receber pelo Cuiabá aproxima-se de R$ 37 milhões.

Diante da reincidência, o presidente do Cuiabá defende que o transfer ban é insuficiente para coibir a inadimplência. Dresch propõe a aplicação de punições esportivas mais severas, incluindo a perda de pontos em competições oficiais, como forma de garantir o cumprimento dos compromissos financeiros e promover um ambiente de fair play econômico mais equilibrado entre os clubes da Série A.

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