Ícone da contracultura nas ondas, carioca revolucionou o esporte nas décadas de 1980 e 1990 com estilo explosivo
O surfe brasileiro chora a perda de um de seus nomes mais autênticos, Dávio Correia Figueiredo, conhecido historicamente como Dadá Figueiredo. O carioca morreu no último sábado, aos 61 anos, deixando um legado que vai muito além das competições nas ondas.
Segundo relatos de amigos e familiares, o ex-surfista estava internado em um hospital para tratar uma infecção pulmonar e complicações decorrentes de uma pneumonia. A notícia gerou forte luto e comoção em toda a comunidade do esporte nacional.
A partida de Dadá encerra um dos capítulos mais irreverentes da história do esporte no país, conforme informação divulgada por WAVES. Sua trajetória marcou profundamente o desenvolvimento técnico e comportamental das gerações seguintes.
Revolução nas ondas com manobras radicais
Nascido na Tijuca, no Rio de Janeiro, Dadá desenvolveu uma forte ligação com o skate antes de migrar para o mar. Nas décadas de 1980 e 1990, suas batidas verticais e rasgadas potentes surpreenderam o público e os juízes dos campeonatos.
Em janeiro de 2005, o jornalista Fabrício Fernandes publicou no WAVES a reportagem intitulada “Dadá, o anti-moda”. O texto destacou como o surfista executava manobras avançadas, como laybacks e off-the-tops, anos antes de popularizarem no circuito mundial.
Sua influência foi direta sobre grandes nomes como Neco Padaratz, Léo Neves e Binho Nunes. O carioca conquistou o título estadual em 1989 e foi eleito o melhor freesurfer do Brasil em 1993 por leitores especializados.
Estética punk e atitude contracultural
Fora da água, Dadá desafiava todas as convenções sociais da indústria ao adotar uma estética influenciada pelo punk rock e hardcore. O surfista rejeitava padrões tradicionais e fazia questão de manter sua independência pessoal e artística.
Além de brilhar no mar, ele atuou como baixista da banda punk Os Normais e participou da criação de marcas de vestuário como Anti-Fashion e Necrose Social. Sua postura provocadora e explosiva marcou época no esporte.
Em 2014, toda essa intensidade e polêmica viraram tema do documentário “Radical: A controversa saga de Dadá Figueiredo”, dirigido por Raphael Erichsen com imagens históricas e depoimentos marcantes.
Superação e legado na Barra da Tijuca
A trajetória de Dadá também enfrentou momentos difíceis com o abuso de álcool e drogas, conforme o próprio atleta admitiu publicamente. Em maio de 2003, a reportagem “A luz no fim do tubo”, do WAVES, revelou sua fase de reconstrução pessoal.
Apoiado pela religião e pela família, ele fundou uma escola de surfe na Barra da Tijuca que chegou a reunir cerca de 300 alunos. Anos depois, assumiu a vice-presidência da associação local de surfe, focando na valorização dos veteranos.
O apelido adotado por Alexandre Almeida, o Dadazinho, após receber uma prancha do ídolo, simboliza a extensão de sua influência para as novas gerações de atletas brasileiros.
Perguntas Frequentes
Quem foi Dadá Figueiredo no surfe brasileiro?
Dadá Figueiredo foi um surfista carioca pioneiro, conhecido por seu estilo explosivo, manobras radicais inspiradas no skate e forte postura contracultural nas décadas de 1980 e 1990.
Qual foi a causa da morte de Dadá Figueiredo?
Dadá Figueiredo faleceu aos 61 anos após complicações decorrentes de uma infecção pulmonar e pneumonia, estando internado para tratamento médico.
Qual é a importância de Dadá Figueiredo para a história do esporte?
Ele revolucionou as manobras no Brasil antecipando movimentos verticais, influenciou gerações de atletas profissionais e marcou a identidade do surfe nacional com sua estética punk.
Perguntas Frequentes
Qual documentário retrata a vida de Dadá Figueiredo?
A trajetória intensa e polêmica do surfista foi retratada no documentário "Radical: A controversa saga de Dadá Figueiredo", dirigido por Raphael Erichsen em 2014.

