O empresário John Textor, que está afastado da SAF do Botafogo, foi condenado pela Justiça do Paraná a pagar uma indenização de R$ 50 mil por danos morais ao árbitro de vídeo (VAR) Rafael Traci. A decisão, da 4ª Vara Cível de Curitiba, ainda cabe recurso. O pedido original de Traci era de R$ 100 mil.

As acusações surgiram após o jogo entre Botafogo e Palmeiras, pelo Campeonato Brasileiro de 2023, no qual o Glorioso perdeu por 4 a 3. Rafael Traci, que atuava como VAR, foi apontado por Textor em publicações nas redes sociais como o responsável por ter manipulado imagens do lance que resultou na expulsão do zagueiro Adryelson. Segundo Traci, as postagens de Textor atingiram sua reputação profissional e geraram prejuízos à sua carreira.

Condenação e Determinações da Justiça

Na sentença, a juíza Bruna Richa Cavalcanti de Albuquerque determinou que Textor pague R$ 50 mil a Traci, com correção monetária e juros. Além disso, o empresário tem até cinco dias para remover duas postagens no Instagram que citam o árbitro, sob pena de multa diária de R$ 1 mil, limitada a R$ 50 mil. Textor também deverá arcar com 80% das custas processuais e honorários advocatícios.

A magistrada considerou que as manifestações de Textor foram baseadas em "acusações graves" sem "base factual suficiente", ultrapassando a crítica esportiva legítima e imputando ao árbitro uma suposta fraude. O estudo da empresa "Good Game!". utilizado por Textor para sustentar suas alegações, não teve validação oficial.

O depoimento do árbitro principal da partida, Bráulio da Silva Machado, que aprovou o protocolo do VAR, também corroborou a tese da juíza sobre "abuso do direito de manifestação" por parte do empresário, causando "dano à honra e à imagem profissional" de Rafael Traci.

Pedido de Proibição Negado

A Justiça, contudo, negou o pedido de Traci para que Textor fosse impedido de mencionar seu nome futuramente, sob pena de multa. A juíza considerou que tal medida configuraria censura prévia, o que é vedado pela Constituição.

Posição de John Textor

Em nota oficial, John Textor afirmou não ter conhecimento sobre o andamento do processo e que não participou de sua defesa. Ele reiterou suas preocupações sobre a manipulação de imagens no jogo contra o Palmeiras e mencionou declarações do presidente da CPI do Senado, que teria afirmado que Textor apresentou "provas incontestáveis de manipulação do VAR".

Textor disse que sempre defendeu o Botafogo e buscou respostas quando acreditava que o clube havia sido prejudicado, associando essa luta à "transformação mais ampla no clube" e a um "2024 extraordinário".