O esporte mundial perdeu uma de suas figuras mais transformadoras neste sábado (10). O havaiano Larry Bertlemann, amplamente reconhecido como um dos pilares do surfe moderno, faleceu aos 71 anos em Honolulu. A notícia foi confirmada por seus familiares ao portal Hawaii News Now, indicando que o falecimento ocorreu após complicações decorrentes de um ataque cardíaco.

Conhecido mundialmente pela alcunha de “Rubberman”, Bertlemann foi o protagonista de uma mudança de paradigma na década de 1970. Sua abordagem singular, caracterizada por um estilo baixo, veloz e agressivo, rompeu com as convenções do surfe clássico da época, estabelecendo as bases para o que hoje compreendemos como surfe progressivo.

A revolução técnica e o legado de Rubberman

A genialidade de Larry Bertlemann residia na sua capacidade de interpretar as ondas de maneira pouco convencional. Enquanto o cenário competitivo seguia linhas rígidas, ele introduziu elementos como drops atrasados e mudanças bruscas de direção, que desafiavam a física aplicada ao equipamento daquele período.

Em parceria com o shaper Ben Aipa, Bertlemann utilizou pranchas mais curtas e ágeis para materializar sua visão criativa. Essa simbiose entre atleta e equipamento permitiu que ele aplicasse sua técnica inovadora tanto em ondas menores, como em Ala Moana, quanto nos tubos desafiadores de Pipeline, conforme detalhado em análise histórica publicada pelo Waves.

Influência além das ondas e o impacto no skate

O impacto de Bertlemann extrapolou o ambiente marinho, exercendo uma influência profunda sobre a cultura do skate durante os anos 70. Suas curvas radicais e o centro de gravidade extremamente baixo serviram de inspiração direta para nomes lendários como Tony Alva e o grupo Dogtown Z-Boys.

A conexão entre as duas modalidades era tão intrínseca que um movimento específico no skate foi batizado de “Bert”, em uma homenagem direta à forma como o havaiano manobrava sobre a água. No surfe, sua marca de progressividade tornou-se um DNA compartilhado por gerações posteriores, influenciando surfistas de estilos distintos, desde Christian Fletcher até Gabriel Medina.

Memória e continuidade de um visionário

A família de Larry Bertlemann destacou, em comunicado oficial, que o legado do surfista transcende suas conquistas esportivas. O havaiano é lembrado como um artista que enxergava possibilidades técnicas que o restante do esporte ainda não havia concebido, deixando uma lacuna imensa na comunidade global do surfe.

Larry deixa uma família numerosa, composta pela mãe, cinco irmãs, três filhos, oito netos e nove bisnetos. Sua trajetória permanece como um divisor de águas, consolidando-o como um visionário que não apenas praticou o esporte, mas redefiniu as fronteiras do que era possível realizar sobre uma prancha.

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