O futebol mundial testemunha o encerramento de um dos capítulos mais gloriosos de sua história nesta terça-feira. Lionel Messi, aos 39 anos, entra em campo pela última vez com a camisa da Seleção Argentina em um amistoso contra o Benin, realizado no Estádio Monumental de Núñez, em Buenos Aires. A partida marca o fim de uma trajetória de mais de duas décadas defendendo as cores de seu país, onde o craque transitou entre a desconfiança inicial e a idolatria absoluta.
A despedida do camisa 10 ocorre em um cenário de reverência total, após uma carreira que acumulou recordes, títulos e uma resiliência raramente vista no esporte. Embora tenha brilhado intensamente em clubes como Barcelona, Paris Saint-Germain e Inter de Miami, foi pela Albiceleste que o jogador enfrentou seus maiores desafios emocionais e alcançou a glória máxima que consolidou seu lugar entre os maiores de todos os tempos.
O despertar do gênio e o primeiro gol no Barcelona
A lenda de Messi começou a ser escrita oficialmente em 1º de maio de 2005. Com apenas 17 anos, o jovem argentino entrou em campo contra o Albacete, pelo Campeonato Espanhol, e precisou de poucos minutos para mostrar sua categoria. Após um passe preciso de Ronaldinho Gaúcho, ele encobriu o goleiro com uma cavadinha sutil, marcando seu primeiro gol profissional.
Apenas dois anos depois, em março de 2007, Messi provou que já era uma realidade global ao anotar um hat-trick contra o Real Madrid no Camp Nou. O empate por 3 a 3, garantido por ele nos acréscimos, foi a primeira grande demonstração de sua capacidade de decidir clássicos sob pressão. Pelo clube catalão, ele encerraria seu ciclo com 672 gols e quatro títulos da Champions League.
Recordes históricos e o domínio absoluto do futebol europeu
O ano de 2012 permanece como um marco estatístico insuperável na carreira do atacante. Messi estabeleceu o recorde mundial de 91 gols marcados em um único ano civil, superando a marca histórica de Gerd Müller, que durava desde 1972. Foram 79 gols pelo Barcelona e 12 pela Argentina, em uma sequência que desafiou a lógica do futebol moderno.
No cenário continental, a final da Champions League de 2009 em Roma foi o palco de sua afirmação definitiva. Enfrentando o Manchester United de Cristiano Ronaldo, Messi marcou o segundo gol da vitória por 2 a 0 com uma cabeçada precisa. A conquista selou o primeiro Triplete do Barcelona sob o comando de Pep Guardiola, unindo o título europeu ao Campeonato Espanhol e à Copa do Rei.
Lionel Messi e a consagração definitiva na Copa do Mundo
A relação de Messi com a torcida argentina foi marcada por provações, incluindo o anúncio de sua aposentadoria precoce em 2016, após a derrota na final da Copa América Centenário. O jejum de títulos e as críticas pesadas levaram o craque a declarar que a seleção havia acabado para ele. No entanto, o afastamento durou apenas 66 dias, iniciando um processo de reconstrução que culminaria no topo do mundo.
O ápice ocorreu no Catar, durante a Copa do Mundo de 2022. Em uma final dramática contra a França, que terminou em 3 a 3, Messi marcou dois gols e converteu sua cobrança de pênalti. Ao levantar a taça no Estádio Lusail, ele não apenas preencheu a lacuna que faltava em sua galeria, mas também igualou o feito de Diego Maradona, tornando-se o herói de uma nação inteira.
Homenagens a ídolos e o temperamento em campo
Além da técnica refinada, a trajetória de Messi foi pontuada por momentos de forte carga emocional e folclórica. Em novembro de 2020, logo após a morte de Maradona, ele celebrou um gol pelo Barcelona revelando a camisa do Newell’s Old Boys, clube onde ambos jogaram. O gesto foi uma das homenagens mais icônicas da história do esporte, unindo as duas maiores referências do futebol argentino.
Durante o Mundial de 2022, o mundo também conheceu uma faceta mais combativa do craque. Após a tensa classificação contra a Holanda, Messi disparou a frase "¿Qué mirás, bobo?" para o atacante Weghorst durante uma entrevista ao vivo. O episódio humanizou o ídolo, mostrando que, por trás da postura reservada, batia o coração de um competidor feroz. Agora, contra o Benin, ele encerra esse ciclo como o maior artilheiro e o jogador com mais partidas pela Associação do Futebol Argentino.

