O esquiador Lucas Pinheiro Braathen, nascido na Noruega e com mãe brasileira, alcançou um feito histórico ao conquistar a medalha de ouro para o Brasil na prova do slalom gigante nos Jogos Olímpicos de Inverno Milano Cortina-2026. A decisão de representar o Brasil veio após desentendimentos com a federação norueguesa, marcando uma nova fase em sua carreira a partir da temporada 2024/2025.
Origem e Início no Esqui
Lucas Pinheiro Braathen, de 26 anos, nasceu em Oslo, na Noruega. Sua mãe, Alessandra Pinheiro Evans, é brasileira, e seu pai, Bjorn Braathen, norueguês. Após a separação dos pais, Lucas viveu um período em São Paulo e nutriu o sonho de ser jogador de futebol, admirando ídolos como Ronaldo e Ronaldinho Gaúcho. Aos nove anos, contudo, aceitou o convite do pai para se dedicar ao esqui alpino, modalidade popular na Noruega.
Sua ascensão foi notável. Aos 14 anos, ingressou na equipe de desenvolvimento norueguesa e, aos 16, tornou-se atleta federado pela Noruega junto à Federação Internacional de Esqui e Snowboard (FIS). Em 2018/2019, conquistou duas medalhas no Mundial Júnior de Esqui Alpino: prata no Super G e bronze no Combinado.
Destaque pela Noruega e Lesão
Na temporada 2018/2019, Braathen estreou na Copa do Mundo, despontando como um jovem talento. Seu primeiro pódio veio na abertura da temporada 2020/2021, com ouro no slalom gigante em Sölden, Áustria, o que lhe rendeu atenção do público brasileiro. Pouco tempo depois, sofreu uma grave lesão nos ligamentos dos joelhos, afastando-o por oito meses e o impedindo de disputar o Mundial de 2021. Retornou na temporada 2021/2022, conquistando ouro no slalom em Wengen, Suíça.
A temporada 2022/2023 foi sua melhor fase pela Noruega, com sete pódios em 20 provas da Copa do Mundo.
Mudança para o Brasil
Em 2023, aos 23 anos, Lucas Braathen anunciou sua aposentadoria, citando divergências com a federação norueguesa sobre patrocínio e regras. Após um período de reavaliação, reconsiderou o retorno às competições e a possibilidade de defender o Brasil. Em maio de 2024, anunciou oficialmente seu retorno com uma equipe individual, após acordo com patrocinadores e a Confederação Brasileira de Desportos na Neve (CBDN). Obteve a autorização da Noruega para a troca de cidadania esportiva, permitindo a manutenção de seus pontos na FIS.
Sua estreia como atleta brasileiro ocorreu na temporada 2024/2025, com um pódio no slalom gigante em Beaver Creek, nos Estados Unidos. Na sua segunda temporada competindo pelo Brasil, chegou a Milano Cortina 2026 com uma forte sequência de nove provas consecutivas entre os cinco primeiros.
Conexão com o Brasil
Braathen mantém um forte vínculo com o Brasil, país de origem de sua família materna. Seus avós vivem em Campinas (SP) e ele possui primos em São Paulo. O português foi sua primeira língua, com o incentivo de sua mãe. Aprecia a culinária brasileira, como churrasco, e é influenciado pela música, ouvindo Jorge Ben Jor e admirando bossa nova e samba. Brigadeiro e pão de queijo estão entre suas iguarias favoritas.

